“Gatos” têm vantagens físicas nas categorias de base

(Por: Dan Gonçalves)

Os noticiários esportivos trazem cada vez mais casos sobre atletas que comentem atos ilícitos para ter vantagens nas competições. Quando falamos nessas infrações pensamos diretamente no doping quando atletas usam substâncias proibidas, mas também há outra maneira de ter ganho desempenho no universo do futebol e quem usa este artificio é chamado de “gato”, na gíria do esporte. O Gato é quem usa documentos falos ou de outra pessoa para disputar competições em categorias inferiores.

Existem casos que chamam a atenção, o mais recentemente aconteceu no Internacional, o atleta Fernando Baiano usou os documentos o irmão mais novo, que tem 19 anos, para atuar nas categorias de base. O nome verdadeiro dele é Fabio e possuía 24 anos, quando assumiu o ato, em 2014, onde tinha idade para jogar pelos profissionais. O próprio jogador confessou ao clube e teve contrato rescindido.  Outro jogador que ficou famoso pelo “gato” na base foi Sandro Hiroshi, que jogou no São Paulo em 1999 e ficou sem jogar por 180 dias como punição.

Procurada a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) informou que a responsabilidade de verificação dos documentos dos atletas seria de responsabilidade dos clubes e que ela apenas faria apenas conferência se não há erros na documentação. No livro de regulamentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de 2017, na seção dois, o artigo 13, paragrafo quatro, diz apenas que os clubes são responsáveis pelas condições dos jogadores de poderem atuar pelas competições, organizadas pela CBF.

Qual a vantagem que um jogador que adultera a idade e joga nas categorias de base pode ter? O atleta realmente tem vantagem? O preparador físico das categorias de base do Novo Hamburgo, Rafael Delavi, que é formado desde 2009 pela Unisinos e já passou por Aimoré e Veranópolis, respondeu estas perguntas. O profissional da educação física revelou que o jogador mais velho, que atua nas categorias de base, é superior em quase todos aspectos físicos e classificou a diferença como “grande” na capacidade física dos atletas. Delavi também disse que os jogadores que atuam na categoria correta para a idade estão em formação físicas e quando um jogador mais velho atua numa categoria inferior, ele vai estar mais pronto.

“Fisicamente, na verdade ele é superior em todas as capacidades físicas. Ele é mais forte, ele é mais resistente muitas vezes ele tem mais velocidade. Então essa é uma diferença muito grande”, afirma o preparador físico Rafael Delavi. Já o instrutor de musculação do Grêmio Náutico União e avaliador do Centro de Treinamento Olympus, Bruno Padre, falou que há diferença na musculatura entre adultos e adolescentes, que os músculos estão em maturação nos adolescentes e a capacidade física de um adulto já está pronta, já na fase da adolescência está em evolução. O instrutor deixou claro que uma série de fatores vai definir se o atleta vai ter vantagem ou não. “Se os dois (adulto e o adolescente) começarem, praticamente a treinarem juntos, a tendência é que o jovem tenha um adaptação mais rápida que o mais velho. A vantagem vai depender mesmo do condicionamento da pessoa,”  explicou Padre.

Estes casos de “gatos” foram apenas os descobertos e há outros que não foram citados na reportagem, além de uma infração desportiva, o jogador que adultera a idade pelo sonho de ser jogador de futebol, também pode tirar a vaga de uma outra pessoa que está agindo corretamente de um clube e também de seu sonho.

(Revisores: Jocelias Costa, Paula Chidiac)

Não basta ter talento para ser um jogador de futebol

(Por Valéria Possamai)

Qual menino nunca sonhou em ser jogador de futebol? A fama dos craques é vista com deslumbramento pelos garotos. No entanto, não só de grandes dribles é formada a carreira de um jogador. Até chegar ao time profissional, inúmeros desafios fazem parte da realidade dentro e fora das quatro linhas.

No bairro Vila Nova em Porto Alegre, está localizada uma das franquias da Escola de Futebol do Esporte Clube Juventude, time da região da Serra Gaúcha. O clube é reconhecido por revelar atletas de categoria de base, que hoje, por exemplo, atuam nos times da dupla Grenal. No local, são atendidos meninos entre 4 e 17 anos que sonham em se tornar um jogador profissional.

Os jovens garotos são lapidados pelo coordenador Arnoldo Luis Bergmann e pelo treinador Cristiano Brücker, ambos especializados na formação de atletas e com passagens pelas categorias de base de times como Grêmio, Flamengo e Cruzeiro. Os profissionais atuam constantemente com os sonhos dos garotos e com a realidade por trás deles. “A gente também trabalha a cabeça deles para uma possível decepção. Procuramos fazer com que o não em uma peneira se transforme em combustível para eles ficarem mais fortes”, aponta o professor Cristiano.

Além disso, conforme explica Arnoldo, aos meninos é destacado que “o mesmo peso do não é o peso do sim”. Pois, a partir do momento em que o garoto avança para uma categoria de base o ritmo de treinamentos é dobrado. “Para lidar com essas situações, só a habilidade não é o suficiente. Hoje, além de jogar e ter talento é preciso ter foco para ser um jogador”, afirma o coordenador da escola.

Dentro de campo, além de se desvencilhar dos adversários, os garotos precisam vencer as barreiras psicológicas. Muitos dos meninos entram no mundo da bola para melhorar a vida da família. Isto, gera um quadro de pressão emocional sobre os meninos, conforme explica o Psicólogo e Professor da Faculdade Sogipa, Márcio Geller Marques: “Na medida em que os meninos começam a receber uma ajuda de custo do Clube, a questão da dimensão no esporte começa a aumentar. Ocorre que os pais muitas vezes largam seus empregos em outra localidade e se deslocam para acompanhar o filho. E isso gera uma grande pressão, pois imagina se o menino não consegue ser profissional e o pai largou tudo. ”

Salário dos jogadores em 2015

Apesar dos meninos verem no Futebol a oportunidade de mudar de vida financeiramente, estudos revelam que os milhões são uma realidade para poucos. Conforme dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2015 a média de salários de 82% dos atletas profissionais era de até R$1.000. E, apenas um jogador recebia mais que R$500.00. O que revela uma situação comum de quem sonha em jogar em um grande clube: trabalho e treinamento.

(Revisado por Gabriel Schardong, Juan Link, Paulo Ricardo Netto)

Crédito da Foto: divulgação Escolinha Juventude/POA – Facebook