Sem direito de ir e vir na Capital

(Por Osmar Martins)

A sensação de insegurança é constante, e caminha ao lado da população porto alegrense, como se fosse sombra. O fenômeno da violência é tão abrangente, que quase não há como citar este ou aquele bairro, uma zona ou outra. O problema é geral. A mobilidade é afetada desde as simples mudanças de trajeto por medo, passa por contratações de serviço privado buscando segurança, restrições históricas de localidade, até áreas completamente dominadas por facções criminosas. O impacto macro ainda é incalculável, interferindo nos âmbitos social, econômico e psicológico. Somente em 2017, segundo levantamento de dados realizado pela Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP), já foram consumados e registrados, mais de 15 mil ocorrências entre furto e roubo, sendo 7021 furtos e 9552 como roubo.

O aumento da criminalidade nos últimos anos, fez Porto Alegre postular uma das cidades mais perigosas do mundo. Feito este, que nada agrada a população.

Impacto Social do Medo

Em entrevista realizada com Marcella Braga, 21 anos, estudante de medicina veterinária na Uniritter, a jovem conta alguns dos problemas que passa em relação a sua mobilidade na cidade, tanto pela violência por si, quanto pelo fato de ser mulher.

Abordando sobre o tamanho do impacto da violência em sua vida, Marcella diz “Afeta Bastante. Lugares como vilas, por exemplo, são conhecidos por serem violentas, evitamos isso naturalmente, cria esse impedimento, como se fosse um mapa mental, de onde podemos e não ir”, ainda, sobre a questão de ter que arcar com custos para se manter segura, a jovem afirma “Pagaria o dobro, o triplo, o que for, um trajeto pode custar a minha vida”, comenta também sobre a possibilidade que ela tem de pagar, refletindo acerca das pessoas que não tem a opção de contratar algum serviço de transporte e estão submissas a passar diariamente por estas situações.

Conversando sobre o assunto, verificamos com ela se existia algum local que deixava de ir por causa da violência. Marcella, então afirmou que, “De noite, sozinha, eu evito ir em qualquer lugar. Só ando na avenida que moro, jamais entro nas ruas de dentro. Nunca saio da minha zona.”, a estudante ainda salienta que não há outra razão que a impeça de fazer coisas e ir em lugares, senão o medo. Nunca foi falta de vontade, e, no caso dela, às vezes nem de dinheiro. Simplesmente insegurança.

A dimensão da violência vivida na região onde a estudante mora vem crescendo nos últimos anos, ela nos contou sobre um fato triste, mas curioso de seu bairro. Marcella diz que quando tinha 12 anos, brincava em uma rua sem saída não muito distante de sua casa, até quase 22 ou 23h da noite. Voltava sozinha todos os dias e praticamente não pensava nas consequências que isso poderia causar, visto que a criminalidade a 10 anos atrás era muito menor. Conclui afirmando que hoje, com 21 anos, não faz mais este trajeto de maneira alguma. Muito menos durante a noite.

Assim como muitas cidadãs de Porto Alegre, a estudante também sofre com o machismo e teme violência só de cruzar com algum homem na rua. Ao questionarmos a ela, sobre o que pensa ao ver um ou mais rapazes se aproximando, ela diz “Bate um desespero. A primeira coisa que vem em mente é procurar alguém, algum lugar aberto, algo que possa ajudar, caso o pior aconteça.”, ainda completa “Mesmo sabendo que provavelmente vamos ficar paradas e sofrer a violência, o pensamento é a possibilidade de socorro”, confirmando que a violência ataca até quando não há o ato consumado, as vezes o próprio subconsciente cria a situação de perigo, sem ela existir de fato, resultado do constante medo e insegurança que vivemos.

Em relato sobre o que sente ao andar na rua sozinha, Marcella conta “A sensação é de medo e raiva. Porque a gente se submete a alternativas por uma coisa que deveria ser natural,  poder andar nas ruas, sem pensar o que pode acontecer ou que horas são. O Estado deveria nos garantir segurança e o caráter das pessoas também”, a estudante ainda disserta sobre a questão social dos criminosos, que apesar de estarem nessa condição, muitas vezes são vítimas de um sistema falho,  sendo a consequência do problema e não a causa.

Efeitos pós-traumáticos da violência urbana 

Após ter sido assaltada pela manhã, no caminho de sua faculdade, onde foi agredida, Kátia Patuzzi, 44 anos, estudante de direito da PUCRS, conta que os impactos sofridos pelo trauma transcendem o âmbito social, passando pelo também pelo econômico e psicológico. Não só dela, mas de toda a sua família. Falando sobre as mudanças provocadas pelo trauma, Kátia ressalta “Hoje não consigo andar na rua de noite. Se vou na esquina, já fico me cuidando, olhando para os lados o tempo todo. Sofri um abalo psicológico muito forte. Desde o ocorrido, não consigo passar pelo local.”, ainda, sobre a mobilidade que está sendo abalada em sua vida, diz “Hoje vou de kombi e volto de ônibus da faculdade. No curso a noite, vou de ônibus e volto de Uber. Minha filha racha gasolina com as colegas. Todo esse orçamento é em decorrer da violência”, salientando também o impacto econômico causado pelo fenômeno.

A estudante de direito afirma que uma de suas professoras passa a mensagem de que o risco real, diário, é o de tomar um tiro, pois o assalto é praticamente corriqueiro. Ela ainda diz que assim como os trabalhadores saem todos os dias, os assaltantes também. Sobre o fato, Kátia aponta, “Hoje vejo que o perigo não está só na rua, mas também dentro dos meios de transporte. O medo está tomando conta, se você não foi assaltado ou alguém da sua família não foi, serão”, completando, enfatiza a questão de a violência ser ainda maior com pessoas do sexo feminino, “Acredito que as mulheres sejam muito mais afetadas do que os homens, pois eles partem do pressuposto de que elas não irão reagir”, evidenciando o fato de que o machismo está novamente presente nos “fundamentos” de nossa sociedade. De fato, homens se aproveitam da suposta fragilidade feminina, para abordarem alvos, teoricamente a mercê do crime.

Impacto Psicológico da violência

Para dimensionar com maior precisão o impacto psicológico provocado pela demasiada violência nas ruas de Porto Alegre, entrevistamos Iolaine Lagranha, formada em psicologia, ela é dona do Espaço ReConhecer, centro de valorização do indivíduo, localizado em Canoas. Conversamos com ela sobre o quê pode provocar a incidência deste fenômeno de andar na rua com medo, pânico, insegurança, entre outros sentimentos e sensações. Iolaine foi clara ao afirmar “A rotina do medo tem se tornado cada vez mais presente. Isso aumenta a demanda de tratamento para transtornos de pânico ou ansiedade generalizada, decorrente do estresse diário ou pós-traumático, podendo gerar diversas reações, dependendo do indivíduo”, avalia a psicóloga, observando que cada pessoa tem a sua resistência psicológica, podendo variar o impacto causado pela violência ou por traumas, de indivíduo para indivíduo.

Partindo dos relatos das mulheres entrevistadas nesta reportagem, onde assumem sentir medo, praticamente ao avistar um homem andando nas ruas, perguntamos a Iolaine se a incidência histórica de repressão do homem pela mulher, poderia causar, inconscientemente, uma associação entre a figura masculina e o temor, “Acredito que possa acontecer em gerações anteriores, hoje vejo que na medida em que a mulher toma seu espaço e direitos, elas se tornam mais seguras, não necessariamente associando o homem a figura de perigo”, completa apontando que a questão é muito complexa, pois apesar de ser um fenômeno atual, ele ainda permeia muitos contextos históricos do passado.

A visão da Polícia Civil sobre o problema

Com a finalidade de tentar mapear os pontos de maior incidência criminal em Porto Alegre e mapear os locais onde a mobilidade é mais ou menos afetada pela violência, buscamos o contato da Polícia Civil, pedindo a eles dados como mancha criminal e zonas de calor de violência, porém, recebemos a resposta de que esses dados não existiam. Em entrevista realizada com Eduardo Hartz, Diretor Regional de todas as delegacias distritais da Polícia Civil, o mesmo afirmou que sim, os dados existem, no entanto, são de acesso interno exclusivo, gerados pelo seu comitê de inteligência, para subsidiar as ações de planejamento da corporação.

Falando sobre a situação dos bairros como Restinga e outros, onde há conflito por zonas de domínio de facções criminosas, Hartz diz “Nós temos o mapeamento dessas facções e de suas lideranças. É importante ressaltar que hoje não há nenhum líder em liberdade. Todos são reconhecidos e identificados por nós ”, completa, informando que as prisões estão sendo realizadas, porém o coletivo criminoso renova os seus membros, de tempos em tempos, em um processo natural, já corriqueiro para os agentes da Polícia Civil.

Ainda sobre o tema dos grupos criminosos, abordamos com ele, o que indica a continuidade deste fenômeno, o  porque não conseguimos erradicar isto, invés de apenas tapar buracos. Hartz explica que não podemos diminuir o tema somente a um contexto policial. “Essa seria a última razão a ser utilizada, depois de todos os outros meios terem falhado, diz o Diretor, atribuiu também, possivelmente o contexto criminal, á uma falta macro da presença efetiva do Estado, em termos de educação, saúde, habitação, etc. Hartz diz que não acha que a situação social do indivíduo justifique o crime cometido, mas talvez explique, pois a criminalidade é a consequência de um problema maior de sociedade e não a causa.

Com o crescimento dos índices criminais de Porto Alegre nos últimos anos, onde, somente em 2017, foram registrados 503 homicídios e 3.317 roubos a veículo, segundo dados dispostos pela assessoria da Polícia Civil da capital. Abordamos com ele as possíveis mudanças estratégicas da corporação a partir da análise destes dados. Hartz afirma que hoje a Polícia Civil busca dar mais atenção a casos organizados, tenta investigar o mandante do crime, não o atuante, investigando quadrilhas e crimes com maior atuação coletiva. A Polícia Militar é quem é responsável pelo policiamento das ruas, pela atuação direta na repressão ao agressor, na qual buscamos o contato e não obtivemos resposta.

Abordando sobre o foco principal das operações, se seriam em erradicar os crimes patrimoniais ou o tráfico de drogas, Hartz diz “O roubo, apesar de gerar mortes, principalmente para inocentes, é a partir de um ato reflexivo. O tráfico utiliza da violência como instrumento de ação, com tomadas de ponto, assassinatos cruéis para servir de exemplo, decapitações, etc. Portanto, há maior enfoque onde há mais violência”, completa o Diretor, informando também, que hoje a Polícia Civil atua com poucos efetivos. Há 30 anos atrás, quando o estado tinha cerca de sete milhões de habitantes, quase metade do que temos hoje, trabalhavam com mais homens do que atualmente. O que dificulta ainda mais ação dos agentes. Além problema de superlotação do sistema carcerário, que segundo Hartz, não consegue cumprir a sua função dúbia, de não só punir o apenado, mas também ressocializá-lo, para que volte para a sociedade com condições.

Por último, falamos com Diretor sobre o famoso fenômeno do “prende-solta”, onde o suspeito é preso, ás vezes até mesmo em flagrante e depois de alguns dias, ele é liberado pela justiça. O diretor afirma que há uma série de análises subjetivas feitas pelo juiz, com o amparo da lei, para delegar ou não a prisão ao indivíduo. E que nestas análises, acredita ele, entram diversos fatores, como a comparação entre o crime cometido e a pena a ser dada nas condições atuais e indignas de nosso presídio, a incidência do crime, o perigo que o apenado representa ou não a sociedade, entre outros. Hartz diz também que acredita que seja difícil de separar essas questões do julgamento, esquecer estas informações na hora de definir o destino de pessoas é complicado, pois realmente os agravantes da superlotação e condições estruturais do presídio, são difíceis de passarem despercebidos.

Para onde pode caminhar Porto Alegre?

A violência é um fenômeno extremamente amplo e que afeta diversos fatores em nossas vidas, entre eles, a mobilidade, e consequentemente, pela complexidade do problema, é também a sua solução. A criminalidade fere diferentes âmbitos da sociedade, assim como é consequência de muitos deles. Existem motivos sociais, econômicos e psicológicos que geram, lucram e repreendem seus atuantes. Se quisermos acabar com isso de fato, teremos que mudar como sociedade, culturalmente, com educação, estrutura e reformulação. Como dito no início deste texto, é um problema geral, de toda a sociedade gaúcha.

 

Confira trechos da entrevista de delegado à reportagem

Foto: Kátia foi espancada em assalto a caminho da faculdade. Fonte: arquivo pessoal

 

 

Motoristas sofrem com constante insegurança

(Por Evelyn Lucena)

Motoristas de aplicativo estão sofrendo com a violência de diferentes formas, entre agressões psicológicas e físicas, chegando a casos de latrocínio (roubo seguido de morte). Segundo Formulário Social, 11,4% já foram vítimas de roubo na Capital. Com o aumento do medo e da violência, no dia 7 de março protestaram após um colega, vítima de latrocínio, ser encontrado morto.

Hoje a Uber conta com cerca de 8 mil motoristas em Porto Alegre e mais de 50 mil no Brasil inteiro, contabilizando 8,7 milhões de usuários. Com o início de uma atividade recente surgiu um novo risco que aumentou no ano passado. No dia sete de novembro de 2016 a Uber começou a aceitar dinheiro em espécie no Brasil para que os números de passageiros dobrassem. Por conta da preocupação dos motoristas perante a segurança, em fevereiro de 2017 começou a pedir CPF para as corridas em dinheiro. A empresa não respondeu o e-mail quando contatada até o encerramento da reportagem. Na visão dos motoristas essa forma não adiantou e muitos migraram para aplicativos que só aceitam cartão de crédito visando a segurança. “O que leva a violência ser mais recorrente por aceitar dinheiro é o cadastro falho que a empresa tem”, relata Amanda Capalbo, 42 anos e motorista de aplicativo.

Joel Teixeira, 59 anos, aposentado da aviação e também motorista, diz: “O recebimento do dinheiro em espécie abriu uma porta para que o pessoal nos aborde sabendo que estamos com dinheiro ali, isso se tornou muito perigoso para a gente, porque já aconteceu com vários colegas de serem assaltados por chamada em dinheiro”.

O comissário da Polícia Civil, Tarcio Guilherme Ribeiro, comenta sobre os principais cuidados que as pessoas devem ter, entre eles: dirigir com as portas trancadas e os vidros fechados, diminuir a velocidade antes de parar no semáforo, ficando menor tempo possível parado, evitar parar quando perceber algo suspeito e investir em equipamentos de segurança.

A empresa chegou no Brasil sem a autorização e clandestinamente. Se instalou e tomou conta da cidade, virando preferência da maioria dos passageiros que deixaram os táxis e migraram para os aplicativos. A Câmara dos Deputados aprovou a lei 5587/2016 do deputado federal Carlos Zaratini (PT-SP) que cria a regulamentação para implantação dos motoristas nas ruas e pede uma série de exigências com aprovação prévia da Prefeitura Municipal. Foi aceita com 276 dos votos.

A lei diz que os municípios e os Distrito Federal ficam encarregados de regulamentar e fiscalizar o serviço de transporte individual por aplicativos, devendo observar diretrizes que visem a eficiência e a segurança na prestação do serviço. Entretanto essa série de exigências tira o foco tanto da Uber quanto de qualquer empresa de motoristas de aplicativos, por tornar um serviço que é para ser privado, público​.

Dados de um Formulário Social feito pela reportagem do Unipautas, respondido por 86 motoristas de aplicativo, mostram que 64,4% dos motoristas já sofreram algum tipo de violência psicológica, onde acharam que seriam assaltados ou que estavam correndo algum tipo de risco enquanto trabalhavam. Muitos deles passaram a deixar de trabalhar até tarde ou de madrugada. Bom Jesus (87,2%), Cruzeiro (81,4%) e Mario Quintana (73,3%) estão entre os três lugares que os motoristas costumam achar mais perigosos e por conta disso, evitam aceitar as corridas. Segundo dados de eficiência da Secretaria de Segurança Pública o número de veículos fiscalizados em 2017 caiu, com uma diferença de 171,715 veículos que não foram fiscalizados em comparação com os números de 2016. Esse número pode estar relacionado com a insegurança e aumento de roubos de veículos na cidade.

Porto Alegre teve 803 furtos e 2,572 roubos de veículos, segundo a Secretaria de Segurança Pública neste ano. Com estes números e a constante violência na cidade, motoristas afirmam que já sentiram muito medo por pensar que seriam assaltados. Joel ainda conta uma situação pela qual achou que poderia ter sido agredido ou assaltado.

“Para cada chamada que recebo é uma novidade. É sempre uma surpresa e a gente sempre está em risco. Dependendo da localização cancelamos a viagem. O stress é grande e o cuidado mais ainda […] já tive passageiros suspeitos a bordo, entraram os dois e sentaram atrás. Mandaram subir o Morro Santa Tereza. Fiquei todo momento esperando levar um coronhaço e ser atacado por trás. Fiquei numa posição favorável para eles. Felizmente, deu tudo certo, pagaram e foram embora”. Ribeiro aconselha que os cidadãos devem sempre estar vigilantes, entretanto, não entrar em um “pânico social”, tendo bom senso do momento e lugar que estão. Ele também reforça como lidar com situações onde ocorrem riscos de latrocínio ou agressões: “Sempre em que a nossa vida, que é nosso maior bem, estiver em risco, devemos atender às situações deste tipo de abordagem, mesmo que levem o veículo, bens e valores em dinheiro”.

Para a psicóloga Marquerita Sobczak Martins: “É muito complicado e sofrido, pois o medo toma uma dimensão absurda, deixando a pessoa com dificuldades de concentração e de desenvolver suas atividades de trabalho, contribuindo muito para que ele tenha uma frustração e baixa autoestima, levando este indivíduo muitas vezes a ter que se afastar do seu emprego ou em último recurso, ter uma demissão”. Ela também avalia que muitos são os danos psicológicos e que as pessoas podem vir a ter ansiedades, crises do pânico, falta de concentração e insônia. “As fibromialgias estão intimamente ligadas ao medo, à sensação de estar em constante risco, como se estivessem sempre esperando que algo ruim possa acontecer e contribuindo para uma patologia mais tarde caso estas sensações não sejam tratadas. ” explica a psicóloga.

Para auxiliarmos a polícia ao combate ao crime, Ribeiro ressalta que devemos sempre fornecer informações mesmo que anônimas, incluindo realizar o B.O de veículos roubados.

Amanda ainda comenta: “não deixa de ser uma carona remunerada, mas diferente da carona, eu não sei quem é o passageiro que vai entrar no carro”. Ainda há muito o que ser ajustado em prol da segurança dos motoristas que deveria ser prioridade para a empresa.

Confira dados da pesquisa