Não basta ter talento para ser um jogador de futebol

(Por Valéria Possamai)

Qual menino nunca sonhou em ser jogador de futebol? A fama dos craques é vista com deslumbramento pelos garotos. No entanto, não só de grandes dribles é formada a carreira de um jogador. Até chegar ao time profissional, inúmeros desafios fazem parte da realidade dentro e fora das quatro linhas.

No bairro Vila Nova em Porto Alegre, está localizada uma das franquias da Escola de Futebol do Esporte Clube Juventude, time da região da Serra Gaúcha. O clube é reconhecido por revelar atletas de categoria de base, que hoje, por exemplo, atuam nos times da dupla Grenal. No local, são atendidos meninos entre 4 e 17 anos que sonham em se tornar um jogador profissional.

Os jovens garotos são lapidados pelo coordenador Arnoldo Luis Bergmann e pelo treinador Cristiano Brücker, ambos especializados na formação de atletas e com passagens pelas categorias de base de times como Grêmio, Flamengo e Cruzeiro. Os profissionais atuam constantemente com os sonhos dos garotos e com a realidade por trás deles. “A gente também trabalha a cabeça deles para uma possível decepção. Procuramos fazer com que o não em uma peneira se transforme em combustível para eles ficarem mais fortes”, aponta o professor Cristiano.

Além disso, conforme explica Arnoldo, aos meninos é destacado que “o mesmo peso do não é o peso do sim”. Pois, a partir do momento em que o garoto avança para uma categoria de base o ritmo de treinamentos é dobrado. “Para lidar com essas situações, só a habilidade não é o suficiente. Hoje, além de jogar e ter talento é preciso ter foco para ser um jogador”, afirma o coordenador da escola.

Dentro de campo, além de se desvencilhar dos adversários, os garotos precisam vencer as barreiras psicológicas. Muitos dos meninos entram no mundo da bola para melhorar a vida da família. Isto, gera um quadro de pressão emocional sobre os meninos, conforme explica o Psicólogo e Professor da Faculdade Sogipa, Márcio Geller Marques: “Na medida em que os meninos começam a receber uma ajuda de custo do Clube, a questão da dimensão no esporte começa a aumentar. Ocorre que os pais muitas vezes largam seus empregos em outra localidade e se deslocam para acompanhar o filho. E isso gera uma grande pressão, pois imagina se o menino não consegue ser profissional e o pai largou tudo. ”

Salário dos jogadores em 2015

Apesar dos meninos verem no Futebol a oportunidade de mudar de vida financeiramente, estudos revelam que os milhões são uma realidade para poucos. Conforme dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2015 a média de salários de 82% dos atletas profissionais era de até R$1.000. E, apenas um jogador recebia mais que R$500.00. O que revela uma situação comum de quem sonha em jogar em um grande clube: trabalho e treinamento.

(Revisado por Gabriel Schardong, Juan Link, Paulo Ricardo Netto)

Crédito da Foto: divulgação Escolinha Juventude/POA – Facebook

 

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