Drogas e suas ilusões fazem parte da vida de muitos brasileiros

(Por Gabriel Schardong)

Qual adulto brasileiro nunca decidiu, após uma longa e cansativa semana de trabalho, ir para um bar beber sua cervejinha para esquecer um pouco dos problemas corriqueiros de sua semana? A grande maioria já. Muitos buscam essa maneira de, mesmo que por pouco tempo, não lembrar de seus problemas e fugir um pouco da realidade. As drogas, sejam elas lícitas – como a cerveja e o cigarro – e também as ilícitas, que são as mais pesadas, são como uma opção de fuga para o povo que vive em um pais que está à beira do caos.

Os efeitos das drogas, servem como fuga para diversos problemas. Pobreza, discriminação, desemprego, alto nível de estresse no trabalho e conflitos familiares, são alguns dos mais comuns. O Mestre em psiquiatria, Igor Londero, explica sobre as causas que levam as pessoas a enxergarem as drogas como um tipo de saída: “Na realidade as causas para o uso de drogas são diversas. Uma das causas mais comum é a pessoa ter um problema psiquiátrico/psicológico (por exemplo depressão) e acabar usando substâncias para tentar aliviar os sintomas; ou seja, um tipo de automedicação.”.

Londero também falou sobre a função do profissional da psiquiatria nestes casos: “Primeiramente cada caso deve ser avaliado individualmente para o correto diagnóstico, pois pode ser um caso de uso esporádico, abuso ou dependência. Para cada caso existem condutas diferentes a serem tomadas.”. Para Igor, a chave para um tratamento bem-sucedido é a avaliação.

A televisão e as redes sociais têm um forte poder diante do povo brasileiro. A publicidade, com propagandas, outdoors e campanhas surge com um paradigma: influenciar o uso ou desestimular. Desde o ano 2000, foram proibidos os anúncios para venda de cigarro na mídia tradicional (TV, rádio, revista e jornal). O Mestre em Comunicação e Informação, Francisco dos Santos, falou sobre a forma da publicidade divulgar o cigarro, após a proibição: “A única possibilidade de comercial hoje são ações que chamamos de “below the line”, ou, como se chamava há algum tempo, mídia alternativa. Vemos ações de divulgação em bares e boates, estantes luminosas com os cigarros e comunicação de marca.”. Segundo Francisco, basta olhar com cuidado para perceber que não existem mais campanhas para promoção do uso do cigarro e que isto é, de alguma forma, a parte da publicidade para desestimular o consumo.

Quanto as bebidas alcoólicas, não há proibição para propagandas, porém existem diversas regras no Código de Autorregulamentação Publicitária. Não podem conter nos comerciais menores de 25 anos de idade, e as mensagens devem ser destinadas especificamente ao público adulto. Há também um horário específico para a veiculação em rádio e TV, que é no período entre 21h30 e 6h00. Francisco também comentou sobre este tema: “Em relação à bebida alcoólica, temos o anexo A do Código de Autorregulamentação Publicitária, feito pelo CONAR, que versa sobre a publicidade de bebidas alcoólicas. Veja que tem uma série de restrições quanto ao uso de imagens (não pode ter crianças – que bom!) bem como aos horários de veiculação.”. Ele ainda completa dizendo que as marcas de bebidas alcoólicas investem em uma comunicação mais direcionada, através da internet e patrocínio de eventos.

A bebida alcoólica é a droga mais consumida entre os jovens brasileiros. O gráfico acima aponta que mais da metade dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo país, já beberam algum tipo de bebida alcoólica alguma vez na vida. Números preocupantes, partindo do ponto de que é na adolescência que se estabelecem hábitos que serão levados pela vida adulta.

(Revisado por Juan Link, Valéria Possamai e Paulo Ricardo Netto)

Sobre francisco.amorim

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