O preço dos likes

(Por Juan Link)

As redes sociais passaram a ter outro propósito além da interação e comunicação de seus usuários. Cada vez mais as pessoas se autopromovem nas redes para “ostentar”. O fato relevante em prol destes é que para se tornar uma “personalidade” vale tudo. Um dos principais aspectos é o econômico. Todos os dias pessoas ingressam no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) por gastarem os limites dados pelas financeiras e não conseguirem pagar. Muitas vezes a causa deste endividamento é a vida construída na internet.

Para mostrar o quanto sua vida é interessante, pessoas gastam dinheiro e limite do cartão de crédito. Caso não pague sua próxima fatura no período de 90 dias, pode acabar na lista de brasileiros inadimplentes, que hoje conta com cerca de 35 milhões de pessoas no Brasil (24,5% da população brasileira), segundo o levantamento do Serasa Experian, no ano de 2014. Estes números são válidos em casos de dívidas atrasadas acima de R$ 200,00.

Na mesmo levantamento do Serasa Experian, foi feito um mapa da inadimplência por região do país. A região Sul tem o menor número de inadimplentes, com 22,4%. Cerca de 6,1 milhões dos  27,4% da população residentes dos três estados.  A região com o maior número de inadimplentes é a Norte, com 31,1% de habitantes. Por lá, quase 1/3 da população está no vermelho.  Além disso, o levantamento dividiu os devedores por idade. Quase 30% da população na faixa dos 26 aos 30 anos vivem na inadimplência.

No Rio Grande do Sul, cerca de três milhões de pessoas vivem na inadimplência (35% dos gaúchos acima dos 18 anos). Diante deste quadro, a economista Clarice Bittencourt explica os aspectos que promovem esta situação: Quanto maior a capacidade de endividamento dos agentes econômicos, os gastos de consumo ficam comprometidos. Menos demanda, menos venda. Quando não ocorre a venda, não há estímulo para se investir, pois não há perspectiva futura de aumento das vendas. Se não tem investimento, há menos emprego, menos pessoas consumindo e menor o nível de renda, e se repete esse ciclo”, explica.

A especialista também comentou uma forma de como sair da crise atual em que vive o país: “A interrupção ocorre quando surgir um novo nicho de inovação, estimulando a economia. Isso só ocorre com expectativas positivas dos agentes econômicos. Para que isso ocorra a economia deve proporcionar estabilidade e boa gestão dos agentes públicos, para fazer com que os investidores passem a acreditar nesse mercado”, apontou.

Além da questão econômica do país, temos o convívio deste problema na sociedade. Para isto, conversamos com o professor de Filosofia do Instituto Federal de Osório-RS, Sérgio Portella, para saber quais são os fatores que levam as pessoas a se tornarem consumistas compulsivos para obter fama na internet.

Perguntado sobre os atrativos que levam pessoas a obterem vida falsa nas redes, o professor explica que isso ocorre devido a falta de conhecimento sobre o que é verdade ou mentira, pois as pessoas ainda não sabem.  Sérgio ainda aponta que o prejudica a sociedade são opiniões expostas sem embasamento: Prejudicial é a estrutura opiniática tomada como cultura que proporciona isso. A própria noção de especialista, quando investida sobre quesitos de controle dos desejos (marketing, por exemplo) já anuncia a ausência de critérios substanciais presente”.

Questionado sobre as redes sociais estarem influenciando a sociedade, o especialista discorda: “Não. Simplesmente potencializam o que já estaria latente e desapercebido. Não nos tornamos intolerantes nos últimos anos, simplesmente damos voz para algo que não tinha sido exposto, seja pela conivência dos meios de comunicação ou pela condição de senso comum que é compartilhada pela pseudo-elite letrada brasileira”.

(Revisado por Paulo Ricardo Netto, Valéria Possamai e Gabriel Schardong)

 

Sobre francisco.amorim

Professor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *