Irrealidade virtual através do Instagram

(Por Marjorie Paula)

Em um mundo de aparências, aplicativos como Instagram ganham força e permitem que qualquer um possa assumir o perfil que desejar. Novos comportamentos surgem e nesse contexto realidades pré-moldadas são desenvolvidas a partir de carências afetivas e de grande insegurança quanto a imagem. Em 2017, o Instagram atingiu a marca de 700 milhões de usuários ativos – sendo os brasileiros os segundos mais presentes na rede. Em três anos o número de contas no aplicativo duplicou.

Análises realizadas pela própria empresa mostram também que o Brasil já está acima das médias globais quanto ao número de usuários, que no último ano chegou a 75% da população brasileira. Em meio a mais de 4,2 bilhões de curtidas diárias, poucos sabem as diversas tentativas de bater uma foto que existiram por trás da expectativa de uma publicação. A vida virtual permite a existência de diversas personalidades, em suas maiorias felizes e extrovertidas. O Instagram se torna uma plataforma virtual propícia para idealizações e projeções de uma vida irreal.

A necessidade do ser humano de ser aceito socialmente vem desde a infância. A psicóloga, Monalisa Minatto, explica que todo o homem tem o desejo de ser aceito socialmente. Uma necessidade emocional de ser amado, admirado e pertencer a um determinado grupo. Esse comportamento reflete nas publicações do Instagram: as pessoas passam a assumir situações, lugares e atividades que não vivenciaram.

Bruna Schneider, Social Mídia de 24 anos, acredita que anem tão recente onda de influenciadores oportuniza um cenário onde a beleza se torna onipresente e os momentos se tornam propícios para o compartilhamento. “Não há, na rede social, a divulgação de problemas do cotidiano, apenas fotos retratando momentos legais. Tudo isso incentiva a criação de falsas realidades das vidas dos usuários”, afirma Bruna.

Como exemplo, a Social Mídia traz a blogueira fitness Gabriela Pugliesi. Ela explica que acredita na ”vida perfeita” que a blogueira leva, mas claramente entende que os problemas do cotidiano pertinentes a todo o ser humano são mascarados. Bruna ainda diz: “ela não divulga em seu perfil e claro que boletos e problemas de saúde não geram likes“.

Segundo a psicóloga, esse estilo de vida pode ajudar o usuário que possui algum transtorno, trauma ou baixa autoestima, chegando a desenvolver um falso self ou ter dificuldades de lidar com a realidade.”Isso vem desde quando éramos bebês e dependíamos do amor e cuidado do outro. Nossa sobrevivência e bem-estar mental dependiam disso. Todos trazemos um pouco disso no inconsciente”, afirma.

A irrealidade é uma forma de mostrar esse comportamento social, que acaba potencializado pelo surgimento das Redes Sociais. “Antes havia a necessidade de provar uma boa vida em momentos específicos e para um grupo específico. Hoje é a todo momento e para um grupo muito maior de pessoas”, diz Bruna.Nem tão novo assim, as pessoas têm necessidade de demonstrarem uma realidade que não pertence ao offline delas.

(Revisado por Larissa Pessi e Jennyfer Siqueira)

Crédito da Foto: Marjorie Paula

Sobre francisco.amorim

Professor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *