Suicídio já mata mais que HIV no mundo, diz OMS

(Por Marina Rocha)

Tratado como tabu e drama durante anos, a depressão, que na verdade é uma doença e não tem cura, ganhou notoriedade graças a série “13 Reasons Why”, que conta a história de uma menina que comete suicídio. A série virou febre mundial e começou a ser assistida por pessoas do mundo todo, e foi então que muitos outros assuntos ligados a depressão tiveram notoriedade.

Após anos no escuro hoje todo o mundo está falando sobre depressão e suicídio, porém mesmo após tanta divulgação muitas pessoas ainda não compreendem o problema no qual a depressão está inserida. O Brasil é hoje após estudos da OMS o 8° país onde mais se comete suicídio no mundo, fora isso cerca de 6% da população brasileira é diagnosticada com depressão, segundo a OMS, o que resulta em aproximadamente 12 milhões de pessoas, levando em consideração todas as outras pessoas que não são diagnosticadas com a doença por não procurar ajuda esse número pode crescer ainda mais.

Mesmo com todos esses dados alarmantes a depressão ainda é tratada como coisa da cabeça das pessoas, quando deveria ser tratada como doença, pois é o que ela é. Depressão é uma doença silenciosa, como, por exemplo, a diabetes. No começo você não tem nada, então vai desenvolvendo e uma vez desenvolvida você nunca mais deixa de ter, uma vez desenvolvida a pessoa precisa de acompanhamento médico e terapêutico e caso necessário com medicamentos para manter a sua doença controlada, pois caso contrário uma depressão de nível leve pode passar para algo mais severo levando até mesmo a pessoa a cometer suicídio, o que é mais normal do que se possa imaginar, já que por ano no mundo cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio, o que equivale a aproximadamente um maracanã lotado por mês.

Sendo um problema de saúde pública mundial e a OMS já tendo divulgado que em 13 anos a depressão será a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas que o câncer e doenças cardíacas apenas 28 países no mundo tem estratégias de prevenção ao suicídio, que é na grande maioria das vezes originado de um caso de depressão profunda onde por ter ficado tempo de mais sem apoio e tratamento a pessoa não vê outra alternativa a não ser o suicídio. Quando questionado sobre o desafio da Baleia Azul e a relação com automutilações e suicido o delegado de polícia responsável pela delegacia de crimes cibernéticos, Arthur Teixeira Raldi de 35 anos disse que: Não devemos voltar tanto os olhos ao desafio da baleia azul em si, mas sim ao o que leva essas crianças e adolescentes a fazer a automutilação e a cometer o suicídio. Ainda falando sobre o suicídio ligado ao Baleia Azul o delegado disse que “até agora no Rio Grande do Sul não temos nenhum caso confirmado de Baleia Azul” afirmando que os pais após a propagação desse desafio começaram a reparar mais nos seus filhos e então descobrir que eles por ventura se automutilavam e ligaram as automutilações ao Baleia Azul.

Sobre os casos de tentativa de suicídio em Porto Alegre temos com base nas informações da Secretaria de Segurança Pública um dado curioso, onde no período entre

agosto/2016 e março/2017 o mês onde mais houveram tentativas de suicídio foi, Setembro, com 9 tentativas de suicídio entre crianças e adolescentes, mesmo esse sendo o considerado Setembro Amarelo em prol da valorização à vida. Ainda com base nesses dados temos em um período de nove meses 48 tentativas de suicídio, sendo 30 meninas e 18 meninos, dos quais apenas 9 ficaram internados para tratamento da doença, quando questionada sobre o motivo de tão poucos terem ficados internados, Inglacir Dornelles Clós Delavedova, 49 anos, 7°a promotora de justiça da infância e juventude de Porto Alegre relatou que existem poucas vagas destinadas a pacientes psiquiátricos e que por tanto os pais preferem levar os filhos de volta pra casa ao ter que deixá-los nos postos de saúde em condições precárias esperando por uma vaga, mas que quando essas casos ocorrem as famílias recebem todo o apoio possível.

Com toda essa repercussão era esperado que se fossem ter mais casos de tentativas de suicídio já que por norma a SSP procura não divulgar casos de suicídio para não despertar o efeito cascata em possíveis vítimas, porém o Centro de Valorização à Vida teve um aumento de 445% na procura por ajuda após a estreia da série “13 Reasons why” que embora seja uma série que trata não apenas de um mas de vários assuntos polêmicos abordou a depressão e o suicídio de maneira equivocada, já que a personagem principal não apresenta um quadro clínico de depressão que tenha levado ela a cometer o suicídio, assistindo a série o que se pode notar é que ela é uma adolescente que passou por diversos problemas, já que a série falha em mostrar a depressão somada a todos os problemas como a real causa do suicídio da jovem.

Como a série se passa em uma escola, a diretora de ensino da escola São Judas Tadeu, Graziela Loureiro de 50 anos foi entrevistada para falar sobre o papel da escola em reconhecer e ajudar os alunos e em lidar com assuntos de grande repercussão como foi o desafio da Baleia Azul e o seriado. Questionada sobre quais as providências tomadas pela escola quando esses assuntos aparecem à tona nas salas de aula a diretora falou: A escola tem que aproveitar todas as oportunidades que se tem para dar um conhecimento de qualidade, um conhecimento pertinente, não só para os alunos, para a comunidade escolar. Deixando claro ainda que e-mails foram enviados para os pais esclarecendo sobre esses assuntos e que a escola promoveu um encontro de pais com uma psicóloga especialista no tema para que todos pudessem ter suas dúvidas sanadas, ela ainda acaba a entrevista dizendo que a escola não pode negligenciar temas importantes, e que quando eles surgem devem ser falados e esclarecidos pois esse é o papel da escola, “escola é lugar de informação relevante pertinente e de desvendar o que é verdade e o que é mentira”.

Sobre francisco.amorim

Professor

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