Violência na escola: desafios para o futuro

(Por Renato Kubaszewski)

O problema da violência finalmente chegou ao seu estado mais grave e evidenciou com força nas escolas, pois hoje em dia as salas de aula viraram campos de batalha para os alunos. As escolas estão se tornando um dos principais casos de violência entre jovens e os números destes casos só aumentam, desde bullying até agressão física e, mais recentemente, morte. Caso este de morte que aconteceu na escola Luis de Camões em Cachoeirinha-RS e repercutiu no país todo.

Um dos principais e mais recentes casos de violência em escolas aconteceu em 08 de março deste ano, na escola Luis de Camões, em Cachoeirinha. Durante uma briga dentro da sala de aula, Marta, de 14 anos, foi estrangulada até a morte por uma colega de 12 anos. O caso teve grande repercussão no estado e é só mais um dos muitos problemas de violência em escolas que temos hoje em dia. Focando em Cachoeirinha, conseguimos expor não só a falta de apoio psicológico nas escolas, mas também a falta de acompanhamento dos pais, regras de conduta e também influências, seja de amigos ou até mesmo de programas na televisão.

Segundo a psicóloga Enedir da Rocha, de 55 anos, e que está na profissão há mais de 20 anos, o aumento da violência nas escolas vem crescendo pela falta de princípios. Para Enedir a educação parou de mostrar os valores da religião, o governo não tem investido como deveria e a desorganização familiar deixa os jovens com os limites frouxos. “A desigualdade social também é um grande motivo e a escola tem dificuldade de se impor nisso. Às vezes os jovens querem ostentar e mostrar poder. Se não conseguem mostrar poder por bem material, tentam por meio da força”, analisou Enedir.

Sobre as medidas a serem tomadas para mudar e evitar a violência nas escolas e os problemas de educação Enedir falou que os profissionais do meio devem trabalhar mais para o bem comum e melhorar o investimento na educação. “Devemos tentar ver os problemas dos jovens em casa e orientar para prevenir antes que aconteça algo. Também melhorar o investimento na educação e a valorização dos professores”, resumiu a psicóloga.

Segundo uma matéria da BBC Brasil, a necessidade de ajuda para o tema sobre violência nas escolas é um dos argumentos para o projeto da lei 3.688, em tramitação no Congresso há 17 anos, que propõe a contratação de psicólogos e assistentes sociais para assegurar a atendimento a alunos da rede pública e apoio aos professores no ambiente escolar.

Apesar de professores, psicólogos e especialistas defenderem o projeto e a sua necessidade, a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) avisa que algumas de suas dificuldades são a viabilidade financeira e operacional. Grande parte dos municípios no Brasil não conseguem pagar o piso salarial do professor que seria de R$ 2.298,80 e, segundo a Undime, ter o projeto com os psicólogos e assistentes sociais recebendo um salário que possivelmente seria superior ao dos professores, geraria um conflito entre eles.

Em 2012, a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul implantou um programa de prevenção à violência nas escolas e o projeto inclui desde apoio aos alunos até terapia para professores. Vale citar que a escola Luis de Camões, cujo teve o assassinato de Marta, decidiu não participar do projeto criado pela Secretaria de Educação do estado.

Para a pedagoga Vânia Beretta, que trabalha há 16 anos na escola Presidente Kennedy, em Cachoeirinha, os motivos para o excesso de problemas de violência nas escolas são uma série de fatores. Vânia acredita que as famílias conversam pouco com os jovens, justamente na fase em que se acham donos da verdade. “É uma falta de acompanhamento familiar. Nós temos que colocar regras. Quando não se há regras, não temos controle e aí tudo pode acontecer”, disse a pedagoga.

Vânia também disse que o ponto chave para evitar violência na escola é a prevenção. Segundo a pedagoga a melhor maneira é prevenir tudo antes que seja tarde para tentar resolver. Trabalhar valores, a convivência e fazer atividades culturais também ajudariam na situação dos jovens na escola. “Estamos mostrando para o aluno que o diálogo deve acontecer e sempre com respeito. A escola não pode virar as costas para as coisas que acontecem”, analisou Vânia.

Ainda na escola Presidente Kennedy, Daniela Machado, que trabalha na escola há 10 anos e está no seu segundo ano como diretora da instituição, também falou sua opinião sobre o aumento da violência nas escolas. A diretora da escola acha que os pais têm culpa por ficar pouco tempo com os filhos e suprirem sua ausência fazendo todas as vontades dos jovens. “A escola, por sua vez, tenta transmitir os valores necessários, mas estão com poucos profissionais, faltam professores e se faz necessária à presença de um psicólogo para auxiliar”, disse a diretora.

Sobre a as medidas que se devem ser tomadas para mudar o quadro de violência, a diretora acredita que o diálogo deve ser a base tudo e devem mostrar aos jovens que existem outras possibilidades para resolver os problemas. Daniela também não acredita que a sua escola um dia passe por algo como aconteceu na escola Luis de Camões. “Não acredito que em nossa escola venhamos a ter uma situação tão triste. Temos um grupo muito comprometido e construímos uma rede de confiança que funciona”, finalizou Daniela.

De acordo com a Educabras, a Unesco realizou uma pesquisa e constatou que 53% das escolas particulares não tomam atitudes e prevenções necessários para evitar incidentes de violência para proteger alunos e professores. E se pensar nas escolas públicas, o número aumenta para 65%. Na tentativa de prevenir e ajudar as necessidades que as escolas da cidade passam a prefeitura municipal de Cachoeirinha tem criado desde novembro de 2016 palestras e conversas lideradas pelo DECA (Departamento Estadual da Criança e Adolescente) da Polícia Civil.

Denominado de “Papo Responsa”, a DECA apresentou às instituições o que tem como objetivo de implantar o projeto nas escolas da cidade. Com a mesma metodologia do programa “Papo Responsa”, em março a escola Marechal Mascarenhas de Moraes, também de Cachoeirinha, recebeu palestra do DEIC (Departamento do Estado de Investigações Criminais), por meio da Polícia Civil e da Divisão de Prevenção e Educação (DIPE), tentando auxiliar os alunos das escolas na sua educação.

Por mais que as atitudes ainda sejam poucas e pequenas, as escolas de Cachoeirinha estão tomando providências para tentar melhorar e corrigir seus problemas de educação e prevenir a violência, para não se repetir o que aconteceu na escola Luis de Camões. Ainda que seja difícil corrigir todos os problemas de educação e violência, as escolas estão tentando e o primeiro passo é a iniciativa por suas melhorias. Além da prefeitura de Cachoeirinha, o governo também deveria ter atitudes para melhorar os investimentos nas escolas e assim reerguemos a situação da educação no estado.

Sobre francisco.amorim

Professor

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