A visão do professor na educação inclusiva

(Por: Patrick Julian)

Com o decorrer de cada ano, escolas regulares tendem a aumentar o número de pessoas com necessidade especiais em sala de aula. Entre 2005 e 2015, alunos com deficiência no Brasil passou de 114.834 para 750.983, de acordo com o Censo Escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Em 2016, o aumento de estudantes com transtornos globais de desenvolvimento e deficiência passou de 930.683 em colégios e no EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Com um conceito de integração, a Lei Brasileira de Inclusão ( Lei 13.146/2015), reforças discussões para um convívio social adequado para os portadores de deficiência. O regulamento que entrou em vigor em dois de janeiro de 2016, regido pelo Senador Paulo Paim (PT-RS), tem um olhar para as atitudes discriminatórias e também com as mudanças nas áreas da educação.

O professor.

O amor por transformar vidas com a educação, acaba sendo uma das motivações de boa parte de professores tanto em redes públicas como privadas. Trabalhar com inclusão em escolas municipais e estaduais, se torna uma dificuldade por existir poucos retornos vindo do âmbito do governo. Não basta ter a melhor infraestrutura, os melhores jogos pedagógicos, se o número de matriculados aumenta em salas de aulas, e a formação contínua de cada professor, para atender cada necessidade específica de cada aluno, não é melhorada.

A pedagoga, formada na FAPA (Faculdades Porto-Alegrenses), Krisle Ferreira trabalha há 12 anos como educadora, que atuou em escolas e hoje é professora no  Centro de Integração Empresa – Escola (CIEE), afirma que a maior dificuldade para lidar com inclusão foi encontrar uma boa estrutura física e uma gestão preparada para receber alunos com necessidade especiais. “Espero que seja investido na qualificação dos profissionais que já estão em sala de aula, e que todos consigam enxergar que a educação inclusiva é para haver uma inclusão não uma exclusão por falta de professores capacitados”.

A Escola Estadual de 2º Grau José Feijó, atende por turno mais de 150 alunos e geralmente tem em torno um portador de necessidade especiais. Com uma abordagem de melhorar o ensino de inclusão para os estudantes, com matérias pedagógicos e uma infraestrutura regular perante o âmbito escolar inclusivo e com poucas verbas disponibilizada pelo estado. O Serviço de Orientação Educacional, lidera pela professora concursada Nara S. Rodrigues, concursada pelo o estado e tem mais de 30 anos como educadora, informa que o SOE tem como subsídio de acolher o aprendiz e direcionar os familiares para um acompanhamento fora de aula.

“O aluno de inclusão é prejudicado por não ter um atendimento especializado, e muitos precisariam de um atendimento multidisciplinar, seria muito importante” afirma coordenação do serviço educacional da escola. Os colégios estaduais do segundo grau, necessitam de aparam para o desenvolvimento pedagógico de novos matriculados. Procurado o secretário de educação estadual, Ronald Krummenauer, para conversar sobre o ensino básico da inclusão no estado, mas não tivemos respostas.

A realidade da inclusão.

A visibilidade para casos que se tornam “invisíveis” pela sociedade, tornasse um meio de qualificação e desenvolvimento moral para cada indivíduo e seus direitos humanos. Apesar de Porto Alegre ser uma das pioneiras em projetos pedagógicos de inclusão, as condições educacionais se mantem desiguais tanto quanto ao professor e os matriculados. Por haver 98 escolas municipais que atendem mais de 2.500 mil portadores de necessidades especiais, conforme os dados da Secretária Municipal de Educação (SMED), o número é desproporcional por conter poucos professores que não são especializados em cada necessidade educacional. Uma qualificação profissional de educadores e uma infraestrutura eficaz para cada instituição, tornasse um benefício de inclusão e igualdade as crianças com deficiência.

A capital é referência em inclusao nos ensinos fundamentais. O municipio disponibiliza salas pedagogica para atender alunos nas redes publicas, com a orientação de um educador formado para responder as necessidade de cada estudante. Muitos desses profissionais tiveram que fazer uma Pós Graduação, Mestrado ou Doutorado para exercer as atividades nesses espaços. O orgão que é respovel pelas Salas de Integração e Recursos (SIR)  é coordenada pela Assessoria pedagogica da SMED .

“Eu sei os professores reclamam um pouco dessa assessoria, mas as vezes as coisas param né, um pouco se reorganiza e depois continua de novo.” – Cristina Lac, coordenação de comunicação do SMED.

A Escola Municipal Grande Oriente do Rio Grande do Sul, localizada na Zona Norte do município, tem espaço apropriado para o atendimento das necessidades dos alunos com deficiência. A Sala de Integração e Recursos, tem uma proposta de melhora do desenvolvimento de integração interpessoal dos alunos com dificuldades pedagógicas. O SIR no Grande Oriente, possui 25 alunos sendo auxiliados a cada duas vezes por semana no turno inverso de aula. Para atuar com inclusão em escolas, é preciso ser capacitado com um curso superior em atender as necessidade de cada deficiência.

Toda relação do aluno com o orientador acaba se tornando uma forma de participação no cotidiano da vida e das relações familiares, fazendo com que o espaço oferecido pelo município, traga uma grande evolução na aprendizagem para a criança. “Geralmente alguns pais, acabam desmotivando seus filhos, todo nossos trabalho dado por nos acaba sendo em vão quando ocorre isso”, afirma Luisa (nome fictício) educadora que trabalha no SIR.

Com a nova reforma na educação municipal, a prefeitura tem um enfoque no avanço do ensino dos estudantes. Com novas rotinas escolares, a aprendizagem de alunos será o foco do novo gerenciamento de Nelson Marchezan prefeito de Porto Alegre. O secretário municipal da Educação, Adriano Naves de Brito, junto com a prefeitura tem como proposta quatro horas diárias das oito horas da manhã até o meio dia, assim o educador ficara mais tempo acompanhando o aluno.

Na escola Grande Oriente que atende mais de 200 alunos por turno, as refeições são divididas por serie, assim explica a instrutora da sala de integração “os alunos do primário vão um pouco antes para a refeição para quando bater o sinal os maiores irem no intervalo, assim, quando o aluno termina o ano ele está com uma fisionomia diferente quando começa as aulas. Pelo falo de que não se alimentou direito, encurtando o horário de alimentação, a escola não conseguira colocar todos alunos num pequeno refeitório”.

Questionada se a prefeitura ouviu o lado dos professores com a nova proposta de educação para os municípios, a jornalista Carla Luc, responde: “tem que cumprir a lei de estágio de educação (…) a educação tem que ter o direito de quatro horas em sala de aula, e isso não vem acontecendo e o período de alimentação estava contada como hora aula. E esse tempo era descontado como uma folga semanal”. O Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul e a Assessoria Pedagógica do SMED foi procurado e não obtemos respostas.

A escola tornasse a segunda casa para muitos alunos, de onde se formam cidades capacitados para um convívio intelectual na sociedade. O sistema político é a base e a imagem de uma cidade, uma gestão adequada amenizaria falta de inclusão de alunos e professores no âmbito educacional. Os dois lados da educação deveriam ser ouvidos e atendidos, tanto a parte dos educadores, diretores e familiares e não construir uma nova reforma escolar com o olhar só do governo.

Fonte: MEC

Sobre francisco.amorim

Professor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *