Gaslighting: o machismo que violenta a mente feminina

(Por Giovana Moraes)

“Você é louca”, “você está exagerando”, “isso é coisa da sua cabeça”, “isso nunca aconteceu”. Frases como essas tendem a se repetir, e o grau de violência tende a aumentar. Faz parte do jogo colocar a vítima como culpada, levando o agressor a tomar determinadas atitudes: “Você me faz agir dessa maneira”, “Por que você está fazendo isso comigo?”. E de pergunta em pergunta os relacionamentos abusivos vêm acumulando um número maior de vítimas. Violência psicológica que especialistas denominam de Gaslighting.

Em meio à turbulência política que o Brasil enfrenta, esse debate ganhou força nos últimos meses. O movimento feminista vem identificando comportamentos que acabam prejudicando a autoestima e a confiança das mulheres. Uma dessas práticas é chamada de “gaslighting”, exemplo de abuso psicológico no qual informações são distorcidas fazendo com que a vítima questione sua própria realidade e conduta.

Há grandes chances de você já ter vivido um relacionamento assim. E eu quero lhe dizer que: você não está sozinha.

“Eu era exagerada por me chatear ao ter minhas intimidades sexuais contadas em uma roda de cerveja”

Natalia Dias, 21 anos

“Ele dizia que eu tinha que agradecer por tê-lo, pois ninguém além dele iria me querer”

Camila Fernandes, 26 anos

“Tentava me controlar, se eu não olhasse para ele enquanto gritava comigo, ele segurava meu rosto com força e apontava o dedo em minha cara”

Vanessa Dutra, 17 anos

“Ele só me queria por perto por capricho, pelo prêmio de me ter”

Luana Medeiros, 22 anos

“Ele terminou comigo porque eu era uma vadia”

Giulia Ferraro, 20 anos

Se você se identifica ou já passou por isso, estejam cientes que nem tudo o que acontece é culpa de vocês. Vocês não são obrigadas a se modificar a ponto de não se reconhecer para agradar outra pessoa, porque um relacionamneto tem que ser recíproco. Amor próprio é maravilhoso, porque você passa a não aceitar de outra pessoa menos do que você se ama. E por mais que seja difícil, tenham força. Vale a pena no final, o sentimento de liberdade é maravilhoso.

A mulher não é uma propriedade. Nunca é culpa da vítima. Mulheres não são produtos. Isso não deve ser invisível na mídia e na cultura. A voz das mulheres precisa ser valorizada. Mulher não “tem que” nada, se não quiser. O Gaslighting violenta a mente feminina. É o tipo de manipulação emocional que alimenta uma epidemia em nosso país. Uma epidemia sem fim, que define as mulheres como loucas e exageradamente sensíveis. Isso é injusto. É hora de se conscientizar. Unidas. Só assim a mudança, pelos olhos da sociedade, acontecerá.

 

Sobre francisco.amorim

Professor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *